Monthly Archives: Janeiro 2010

Book of Eli

Denzel Washington – Mantendo a fé
Como havia dito no post anterior, sempre que possível quero buscar conteúdo cultural para o Blog, e aqui vai o primeiro post que é sobre o novo filme do astro Denzel Washington. Confesso que me surpreendi com a matéria, nunca pensaria no homem do Dia de Treinamento lendo a Bíblia. Leia e deixe seu comentário..
Graça e Paz...
Emerson de Oliveira
Fonte: Alternativasete

Denzel Washington é muito mais do que apenas um superstar, ganhador de Oscar. Ele é um cristão que leva a sério o seu papel … mesmo que isto signifique um pouco de sangue, como em seu novo filme: Book of Eli.

Denzel Washington é um dos mais bem sucedidos e respeitados atores de Hollywood. Mas o vencedor de duas estatuetas do Oscar (em 1989 e 2001 de Glória de Dia de Treinamento) é também um dos mais atuantes cristãos de Hollywood.

Filho de um pastor pentecostal de Mount Vernon, Nova York, Denzel, aos 55 anos, há mais de 30, tem participado ativamente da igreja West Angeles Church of God in Christ, lê sua Bíblia todas as manhãs, e sempre escolhe papéis em que pode “passar” uma mensagem positiva ou o reflexo de sua profunda fé pessoal.

A fé está em todo lugar no novo filme pós-apocaliptico de Denzel: The Book of Eli, que estreou sexta-feira e está sendo promovido com outdoors com os trocadilhos “B-ELI-EVE” (Acredite) e “D-ELI-VER US.” (Salve-nos). No filme, Denzel assume o papel de um viajante misterioso que tem um facão como arma, chamado Eli, dirigido por Deus para proteger a última cópia da Bíblia existente na Terra – isso mesmo, a Bíblia – e levá-la para o ocidente, para protegê-la de bandidos que procuram usá-la como uma “arma” de controle.

O personagem de Denzel no filme utiliza a violência intensamente – esquartejando os bandidos em cada esquina -, mas que começa a se sensibilizar quando conhece uma garota inocente (Mila Kunis), que o lembra que podemos ficar tão presos em proteger a Palavra de Deus que, por vezes esquecemos-nos de vivenciá-la.

Para Denzel, “vivenciá-la” é essencialmente caracterizado pelo amor e sacrifício. A mensagem final de Eli, diz ele, é “faça mais pelos outros do que você faria para si mesmo”. Esta uma mensagem que Denzel sempre ouviu desde criança.

“Oramos a respeito de tudo, todos os dias”, disse Denzel a membros da mídia religiosa na semana passada, em Los Angeles. “E sempre terminamos com ‘Amém. Deus é amor’. Eu imaginava que ‘Deus é amor’ era apenas uma expressão. Levei muito tempo para aprender o que realmente significava. Eu não me importo com o livro que você lê ou no que você acredita, se você não tiver amor, se você não amar o seu próximo, então você não tem nada”.

Embora Denzel não seja um grande fã da palavra “religião”, e se abstenha de qualquer posicionamento do tipo “Eu estou certo, você está errado”, ele não se envergonha de falar, sem rodeios, sobre sua fé cristã.

“Eu creio que Jesus é o Filho de Deus”, diz ele. “Eu fui batizado no Espírito Santo. Eu sei que isso é real. Eu estava numa sala. Meu rosto ‘explodiu’, chorei como um bebê, e aquilo quase me ‘matou de susto’. Um tipo de medo que chacoalhou minha vida. Vou ser honesto com você, levantei-me e segui na direção oposta daquela que deveria. Eu não sabia o que estava acontecendo. Foi muito forte. Levei muitos anos para dar meia-volta”.

Recentemente, sentado em sua casa lendo a Bíblia (esta é a terceira vez que ele está lendo-a do início ao fim), Denzel se deparou com uma passagem sobre a sabedoria e entendimento em Provérbios 4, que o fez refletir sobre sua vida.

“Estou nesta enorme casa cheia de todas essas coisas”, observou. “Eu ouvi a Bíblia me dizendo: ‘Você nunca vê um caminhão de mudanças atrás de um carro funerário. Você não pode levar todas essas coisas consigo. Os egípcios tentaram, mas foram roubado. Eu disse: ‘O que você quer, Denzel?’ E uma das palavras da devocional daquele dia era sabedoria. Então comecei a orar ‘Deus, me dê uma porção daquilo’. Eu já consegui todo o sucesso possível na minha carreira. Mas eu posso ficar melhor. Eu posso aprender a amar mais. Eu posso aprender a ser mais compreensivo. Eu posso ganhar mais sabedoria”.

Assim como seu personagem em The Book of Eli, Denzel acredita na vocação profética e, por isso, tenta aproveitar ao máximo do trabalho que ele acredita ter sido lhe dado pelo próprio Deus: no seu caso, a fama mundial e uma das carreiras cinematográficas mais profícuas de sua geração. Denzel se lembra de uma história de quando ele tinha 20 anos, que demonstra como ele relaciona intimamente a sua fé com sua carreira.

Era 27 de março de 1975 e Denzel – que acabara de ser expulso da escola – estava sentado no salão de beleza de sua mãe. Uma senhora que, enquanto secava os cabelos e olhava fixamente para ele, de repente, pediu-lhe um pedaço de papel e, de forma trêmula, escreveu a palavra “profecia”. Aquela mulher era Ruth Green, uma das mais antigas mulheres da igreja mais antiga da cidade, conhecida por ter um dom da profecia. Naquele dia, ela disse a Denzel: “Rapaz, você irá viajar pelo mundo e falar para milhões de pessoas.”

Naquele verão, Washington era um equipante em um acampamento da YMCA (Associação Cristã de Moços) em Connecticut. Os equipantes faziam esquetes para os acampantes, e alguém sugeriu a Denzel que ele tinha um talento natural para aquilo e deveria prosseguir atuando. Naquele outono, Denzel voltou a estudar no campus da Universidade Fordham, de Lincoln Center, onde iniciou sua formação em teatro. “Anos mais tarde”, lembra-se Denzel”, perguntei ao meu pastor, se ele achava que eu tinha um chamado para ser pregador, e ele disse: ‘Bem, você não está falando para milhões de pessoas? Você não viajou o mundo?”

Reconhecendo que ele havia sido colocado em uma posição privilegiada, Denzel se sentiu obrigado a usar aquilo da melhor forma possível, “pregando” mensagens positivas sempre que estivesse atuando.

“Eu tentei direcionar meus papéis”, diz ele, “mesmo nos piores papéis como em Dia de Treinamento. A primeira coisa que eu escrevi no meu script (de Dia de Treinamento) foi ‘o salário do pecado é a morte’. No roteiro original, você descobria que meu personagem havia morrido pela televisão. E eu disse, ‘Não, não. Para que eu pudesse justificar que ele havia vivido da pior maneira possível, ele teria de morrer da pior maneira, também. Eu fui arrancado do carro pelo Ethan [Hawke], rastejei como uma cobra… O bairro inteiro virou suas costas para mim e então eu fui feito em pedaços”.

Foi mais fácil “direcionar” o personagem de Eli em uma direção positiva, “quer dizer, quase fácil”, brinca Denzel, porque “esse cara é mais violento que o personagem de Dia de Treinamento. Ele é mais violento do que Malcolm X”.

No entanto, da mesma forma que o personagem de Denzel em Chamas da Vingança, a violência de Eli é usada como forma de proteger os inocentes.

“Quando eu fiz Dia de Treinamento”, diz ele, “havia um policial que disse que a Bíblia afirmava existirem aqueles cujo encargo é proteger os inocentes, e que para isso lhe é dado o direito de ser violento. Aquele policial disse: ‘Baseado nisso é que eu e meu parceiro vivemos. Isso é o que fazemos’. Talvez ele precisasse daquele versículo para justificar o que estava fazendo”.

Embora ele tenha encenado personagens violentos em filmes como Dia de Treinamento, American Gangster e, agora, Eli, Denzel é, na vida real, um homem de família calmo e gentil. Casado com Pauletta por mais de 26 anos e pai de quatro filhos, John David, Katia e os gêmeos Malcom e Olivia-Washington, Denzel está longe do estereótipo do ator de Hollywood.

Além de seu envolvimento com a igreja (ele doou US$ 2,5 milhões em 1995 para o West Angeles COGIC para construírem uma nova instalação), Denzel – que sempre inclui em seus autógrafos um “Deus te abençoe” – é um colaborador, há muito tempo, do Boys & Girls Clubs of America (que ele participou quando crianaça), entre outras caridades.

Denzel, que está indo para à Broadway, nesta primavera, para aparecer junto com Viola Davis na peça Fences, de August Wilson, sabe que ele tem sido abençoado com muito, mas rapidamente minimiza sua fama e sucesso dizendo que são apenas um presente de Deus.
“Não é sobre mim”, disse Denzel em uma entrevista de 2007 na revista Reader’s Digest. “Recebi certas habilidades, e olho para elas da seguinte forma: o que vou fazer com o que tenho? Quem é que vai ser engrandecido com isso?” Perto do final de Eli, o personagem de Denzel cita a famosa passagem de 2 Timóteo 4:7: “Combati o bom combate … guardei a fé”.

É uma linha condizente com o próprio Denzel. Ele é um superstar de Hollywood que, embora não seja perfeito, oferece um raro exemplo de um cristão em um lugar de extrema aclamação e sucesso e que não deixou isso subir à sua cabeça, em vez disso continua fundamentando sua vida na Bíblia e na confiança em Deus.

Em seus mais de 30 anos como ator, Denzel Washington tem lutado o bom combate e feito o que muitos não conseguiram. Ele manteve a fé.

Fonte: Christianity Today
Tradução livre de Whaner Endo

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Pró-cultura

Um dos meus objetivos com esse Blog é buscar e compartilhar conteúdo cultural com vcs. Existe certo tabu no meio cristão em relação ao acesso à produção cultural, há uma enorme resistência, muitas vezes carregadas de preconceito e ignorância, em aceitar o fato do cristão gostar e buscar cultura (eu assumo, gosto muito!). E esse tabu somente agravou o problema. Como? Pelo simples fato de que a cultura é uma necessidade inata do ser humano, que trata dos os pontos nevrálgicos da existência (vida, morte, amor, dor, prazer…) e por isso sempre haverá uma vozinha dentro de cada um de nós clamando por isso, uma necessidade viva, orgânica, que tem nas produções culturais releituras dessa existência. Por vários anos a igreja preferiu diminuir essa necessidade, e não deu outra, os produtores de cultura se afastaram da igreja e dos valores cristãos. Quem sabe (permitam-me criar hipóteses) com uma postura diferente por parte da liderança da Igreja, hoje não estaríamos desfrutando de produtos culturais menos fúteis ou mais profundos (se preferirem). Além disso, tachou-se indiscriminadamente de pecador quem apreciasse essa cultura produzida fora da igreja (quem, dentro da igreja, nunca sofreu algum tipo repreensão por ouvir música não cristã?) e com isso a Igreja perdeu espaço e voz em nossa sociedade, que releva muito mais as palavras de qualquer astro Cult que a própria figura do Papa.
Não que eu queira introduzir o mundo na Igreja, não pelo contrário, o fato é que já passou da hora de acabarmos de vez com tanta mediocridade e hipocrisia dentro da Igreja (que julga naturalmente quem ouvi música secular, e encobre os pecados que adoecem a Igreja: julgamento, a falta de amor, religiosidade…). Eu gostaria é que a voz da Igreja de Cristo ecoasse pelos vales deste mundo caótico e pedido e que fossemos luz em meio a tanta escuridão. E que outro meio tão fascinante, fantástico e eficiente como a produção cultural pode haver para isso? Abramos os olhos para o poder de ação do produto cultural e o usemos para o bem antes que o mal o utilize para outros fins, como o fizeram os nazistas (com cinema nazista).

Graça e Paz!!!

Emerson de Oliveira Souza

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Flame – NOOMA 02

Amamos nosso trabalho, amamos nossos filhos, amamos comida mexicana. Quando “amor” é definido de modo tão amplo, acaba perdendo seu verdadeiro significado. Podemos confundir amizade, compromisso ou desejo sexual com amor, mas Deus espera e deseja que tenhamos uma experiência bem mais profunda.
Comentário by: www.robbell.com.br

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Tudo é espiritual

Rob Beell:

Conheci o pastor Rob Beell, fundador da Mars Hill Bible Church, ano passado com os vídeos da sua série NOOMA, vídeos em que o pastor aparece fazendo coisas corriqueiras como caminhando ou tomando um café em uma lanchonete e a partir de temas ordinários ele apresenta de forma muito convincente as boas novas de Cristo. Os vídeos me surpreenderam em várias estâncias: a produção dos vídeos é impecável, as trilhas são demais, o texto fantástico, a naturalidade com que o pastor apresenta torna agradável assistir aos vídeos, enfim, parafraseando o apóstolo Paulo, tudo coopera para o bem do pastor Rob Bell. Incutida em mim a admiração por Rob Bell, eventualmente pesquiso novidades do ministério do pastor, foi assim que descobri o esse vídeo (dividido em 8 partes). O vídeo aparentemente é a gravação de uma palestra do pastor em que ele reorganiza fatos científicos num arranjo um tanto quanto intrigante e nos sugere a busca por novo olhar.

Espero que curtam a dica!

Emerson de Oliveira Souza

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Oração para minha vida

Esse texto me ocorreu durante um banho, quando comecei a me sentir cansado de tentar empacotar Deus em alguma de minhas definições (como se nossos conceitos pudessem resumir toda a existência). Parado ali, cansado e frustrado de tentar dominar a Deus, como que numa revelação tive a clara convicção de que o relacionamento com Deus passa por um outro viés, mais alto e ao mesmo tempo mais profundo, até mesmo anterior a tudo que podemos supor...
Espero que gostem....
Emerson de Oliveira Souza

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Tenho aqui, simples e verdadeiro, a mais pura e honesta oração para 2010.

Me sinto cansado. (pausa)
(inspira profundamente)

Eu queria ir além,

Além de tudo o que esta posto nessa pobre existência.

Além da Razão, da Emoção e da própria Espiritualidade.

Bem ali, depois de tudo que presumimos e apontamos como certo.

Pois o que me atrai é a verdade, anterior a tudo que temos, vemos ou somos; anterior à própria existência.

Eu busco essa verdade, constante, sutil e imutável.

Oh!! Quando nos desviamos de ti?

Quando a sepultamos em nossos insolentes sepulcros de verdades nossas?

Um caminho se insinua em meus sonhos. Suave como veludo, velado.

O “oh quando?” não quer si calar.

Nos afogamos nas espumas de nossas vaidades,

na mesma espuma que nos fez encher de nos mesmos e transbordar além desse caminho, da verdade.

Oh meu Deus, quero a verdade, não sobrevivo sem essa verdade.

Emerson de Oliveira Souza
31/12/2009 19h30

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A Cruz – por Luiz Felipe Pondé

Olá !!!!
Em tempos nos quais a descrença total é uma das marcas de nossa sociedade, é sempre bom buscarmos por "vozes" que caminham por um outro viés. Encontrei este texto no site da banda Palavrantiga (ótima banda por sinal!) e achei muito apropriado.
Espero que curtam o texto.
Abraço e fiquem com Deus
Link Texto:
http://www.palavrantiga.com.br/a-cruz-por-luiz-felipe-ponde/

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Luiz Felipe Pondé dispensa comentários e introduções a seu respeito. Desde que começou a escrever na Folha de São Paulo e ministrar cursos nas séries filosóficas da TV Cultura, todos nós ouvimos e nos impressionamos com a sua contradição, clareza e profundidade.
Nunca antes publicamos textos de outros autores aqui no nosso site, no entanto, de forma muito apropriada apareceu essa pérola de reflexão que compartilhamos com vocês a fim de oferecer mais um elemento que compõe nossa visão de mundo. Mais ainda, nas palavras de um cara que experimentou outras veredas nessa Criação tão diversa e viva que nos é dádiva.

Boa leitura.
Marcos Almeida (Palavrantiga)

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ANOS ATRÁS, em Paris, o historiador Jacques Le Goff me falava da sua preocupação com o destino da cultura ocidental. Para ele, o Ocidente poderia perder sua identidade como resultado de sua própria produção cultural.
Outros intelectuais também partilhariam de suas inquietações. Entre eles, o antropólogo Lévi-Strauss, morto semana passada. Le Goff se inquietava porque parte das agonias da cultura ocidental teria sido fruto dos “achados” da história e da antropologia e seus frutos, as filosofias e políticas relativistas do século 20.
O relativismo existe desde os sofistas gregos e tem em Protágoras seu ícone máximo de então. Mas o que é “relativismo”? Em Protágoras é: “O homem é a medida de todas as coisas” (versão curta). Isto quer dizer que tudo é criação humana: a moral, a religião, enfim, as verdades de cada cultura. Sentados num bar, diríamos: “Cada um é cada um”.
A história contemporânea acentuou essa versão das coisas quando afirmou que as épocas têm suas concepções de mundo específicas e que não podemos dizer que uma época seja melhor do que a outra. A antropologia, por sua vez (e aqui entra Lévi-Strauss), afirmou que as culturas não podem ser comparadas umas com as outras sem cometermos o pecado de não percebermos que cada cultura seria um sistema fechado em si mesmo, onde um comportamento só poderia ser julgado pelos valores morais da própria cultura.
Por exemplo, matar bebês pode ser um horror moral acima do equador e uma obrigação sublime abaixo do equador. É comum remeter a Lévi-Strauss a descoberta da “dignidade intrínseca” de cada cultura, e que não se deve julgar uma cultura usando valores de outras.
Não há dúvida que essa atitude é essencial para a antropologia. O problema começaria quando pensamos no impacto do relativismo no próprio Ocidente que o inventou. Dito de outra forma: o relativismo se transformou numa militância política e moral apenas no Ocidente. Enquanto os ocidentais estariam sofrendo de uma “indigestão” devido à assimilação do relativismo, as “outras” culturas, estudadas pelos próprios ocidentais, permaneceriam no seu repouso não contaminado pelo relativismo. Trocando em miúdos: muçulmanos podem permanecer acreditando em seu paraíso com virgens, índios em seus espíritos da floresta, enfim, apenas os ocidentais deveriam “relativizar” seu Deus e suas “verdades”.
Sendo os cientistas sociais, os filósofos, os professores e os jornalistas maciçamente ocidentais, seriam as crianças deles que deveriam ser educadas duvidando da validade universal de seu mundo. Aí entra a inquietação de Le Goff: o Ocidente poderia se dissolver como identidade à medida que relativizaria a si mesmo, enquanto as “outras” culturas seriam poupadas da crítica relativista, porque indiferentes à angústia relativista ocidental e, também, porque contam com a simpatia do Ocidente nessa indiferença e na defesa de sua “dignidade intrínseca”.
A verdade é que os homens são sempre contraditórios e, ainda que eu não saiba se Lévi-Strauss de fato partilhava da mesma angustia de Le Goff, algumas pessoas afirmam que ele admirava seu avô Rabino e que julgava os racionalistas ateus uns chatos e preferiria aqueles que acreditam em Deus. Pode ser boato, mas isso faria dele um homem mais interessante do que alguns que engoliram o relativismo assim como quem come pão e vai ao circo.
Um exemplo da “indigestão” causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia “desrespeitado” porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.
Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.

Luiz Felipe Pondé
09.Nov. 2009

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