Monthly Archives: Julho 2010

Carpe Diem

Olá a todos, peço desculpas pela (indelicada) ausência, mas ultimamente meus dias têm sido (definitivamente) muito ocupados, e não reclamo por isso.
Então, ficamos entendidos da seguinte forma: se me ausento por uns dias, é porque tenho andando atarefado (sejamos complacentes).

E como tem passado meu caro Emerson?

Bem, abro mão destes passos preliminares e me dou ao luxo de resumir essa parte afirmando que tudo vai bem. Numa próxima ocasião, quem sabe, entramos em mais detalhes. Por hora, quero me prender ao fato que me faz quebrar o silêncio e me desdobrar (driblando as tarefas e o cansaço) para escrever este post.

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Talvez por falta de prática ou mesmo pela fadiga, me permito fazer valer de um clichê (clichês são muito úteis nessas ocasiões): Carpe Diem – colha o dia ou, adaptando, aproveite o momento!

E sim, não tenham dúvidas de eu sei da exaustão do uso desse aforismo (que se deve muito desse mérito ao velho Prof. Keating – death poets society).

Essa semana, mais do que nunca, esse chavão visitou meus pensamentos. E o que pra mim, pura e simplesmente, serviu como impulso para escrever, foi (ironicamente) a ocasião mais dolorosa na vida de um querido amigo.

Para quem não sabe, trabalho em uma instituição social de minha cidade, em um projeto que atende adolescentes com idade entre 15 e 19 anos. Dentre as várias atividades que envolvem o projeto, tentamos alimentar estes jovens com conteúdos que lhes possam ser úteis em suas vidas (empenhamos na formação humana desses garotos). E (de forma muito sadia) entre uma atividade e outra, o projeto é recheado de sorrisos e alegria. E isso (alegria) nunca me havia parecido tão valoroso quanto nesta última semana (neste momento, cabe uma confissão e um pedido de desculpa a todos os garotos: por vezes valorizei as tarefas mais do que estes sorrisos, hoje peço desculpas).

Foi logo pela manhã, assim que cheguei ao projeto, me veio a notícia: A mãe de um dos garotos havia falecido.

Como de praxe, os mesmos questionamentos:
– Como, ela era tão jovem?
– E esse menino, o que vai ser dele agora?

Então, eu e minha angustia, fomos nos calando e ali, no meio daquelas salas vazias, comecei a notar como aqueles sorrisos faziam falta.

– Ainda há pouco estávamos aqui, sorrindo e celebrando a vida, e hoje, vazio.

Então me aquietei e ocupei um computador do projeto, comecei então a escrever. E as palavras foram estas:

Manhã do dia 29 de julho de 2010

Hoje o nosso projeto parou, as portas se fecharam. E sobre a ausência de sorrisos e corpos, assentou-se uma atmosfera de luto e dor. Restaram-nos duas salas gélidas e estranhamente maiores, vazias.
Nestas paredes brancas, hoje reverberaram verdades ocultas. Sem cerimônias, um emissário do bem entrou trajando vestes negras. Nas mãos, uma mensagem que falava de tempos remotos e do porvir. Falou-nos então:

Nos passos frouxos da existência,
A morte é uma turva certeza, única;
Que expõe o lado frágil da vida,
Hoje aqui e tão logo se dissipa.

Viva o luto, chore,
Mas sobremaneira ouça,
Que com a mesma intensidade que as lágrimas descem,
Espontâneo, um sorriso apareça.

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Que estas palavras não soem de outra forma senão como:

– Uma singela homenagem a esse precioso garoto (Jansem), a quem rogo força e paz e a quem me coloco disponível no papel amigo.

– E um convite (ainda que pareça desgastado) para que celebremos aos bons momentos da vida, na mesma intensidade com que mergulhamos em nossos lutos. Essa semana eu pude ver a verdade desse clichê, Carpe Diem.

Entre os meses Maio e Junho deste ano, produzimos (em parceria com a jornalista Gabriella Pacheco) um vídeo que mostrava um pouco do dia-a-dia dos garotos do projeto. Na ocasião, Jansem foi um dos selecionados para retratar um pouco de sua vida, e no vídeo em questão, fica claro o amor e o carinho entre aquela família.

Jansem, muito obrigado por sua humildade, gentileza e inocência. Aprendemos tanto! Te amamos.

Emerson de oliveira Souza
31 de julho de 2010

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Cantos da primavera

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Sombras de árvores floridas desenham o chão de meu jardim,
Sem perceber o cheiro, busco as copas das árvores,
Para então o espanto,
Galhos secos e sem vida.
Cante oh minh’alma, entoe cantos centenários, inexprimíveis.
Beba da seiva,
Chame a primavera.
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Emerson de Oliveira
18-07-2010

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