Monthly Archives: Abril 2011

Realidade

Como prometido, ainda lá no já distante prefácio deste blog, tento cumprir hoje uma tarefa com a qual tenho pecado – confesso. Dispus no Blog um achado bem especial, uma poesia de Álvaro Campos – um dos pseudônimos do poeta português Fernando Pessoa.
O Poema se chama Realidade e trata basicamente da reflexão sobre o tempo, sobre mudanças. Enfim, não quero estragar o que me encanta na poesia, a livre interpretação. Espero que apreciem…
Graça e Paz….

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos…
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade…

Há vinte anos!…
O que eu era então! Ora, era outro…
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada…
Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)…
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos…
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse…
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer…

Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais
lembradamente de azul.

Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada…

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso…
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

Olhamos indiferentemente um para o outro.
E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse…
Verdadeiramente se desse…
Sim, carnalmente se desse…

Sim, talvez…

    Álvaro de Campos, in “Poemas”
    Heterónimo de Fernando Pessoa

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Esperança

Essa talvez seja a grande beleza da arte, nos ajudar a compreender um pouco mais sobre a existência e melhor, nos ajuda a suportá-la.

Hoje me lembrei de uma música que nasceu de uma situação bem semelhante ao que aconteceu em Realengo, no Rio de Janeiro (quando um estudante entrou numa escola e assassinou vários alunos).

“This is your time” foi composta pelo cantor norte americano Michael W. Smith em homenagem a Cassie Bernall, assassinada no notório massacre de Columbine, EUA, em 1999. Na ocasião dois estudantes (Eric Harris e Dylan Klebold) entraram fortemente armados na escola (instituto Columbine, no condado de Jeffeson, Colorado) e abrirão fogo contra vários estudantes e professores. Cassie Bernall foi uma de suas vítimas. Dentre os vários assassinatos que aconteceram naquele fatídico dia, os relatos sobre o assassinato de Cassie chamam a atenção. De acordo com testemunhas, um dos atiradores, Eric Harris, perguntou a Cassie se ela acreditava em Deus momentos antes atirar. Estudantes disseram que ela havia respondido “sim”.

Na verdade não temos muitas respostas quanto às razões de eventos como estes (embora possamos confabular milhares de teorias). Mas a incapacidade de compreender esse evento não me causa desespero. Pois como no exemplo de Cassie, minha esperança ascende no vislumbre de que mesmo em situações extremamente assustadoras como estas, podemos apanhar porções generosas de fé, coragem, amor, honra, enfim, exemplos que nos inspiram a viver e suportar essa existência que muitas vezes pesa.

Que Deus conceda alento a todas as famílias.

No clipe você vê um depoimento de Cassie gravado semanas antes de seu assassinato.

Infelizmente o youtube bloqueou o link do vídeo no meu Blog, mas no próprio quadro negro aparece a opção para assistir ao clip no youtube.
Mil desculpas!!!

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