Category Archives: Realidade

Não Mr. Underwood!

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Quando assisto House Of Cards eu fico com a incomoda sensação de que a série foi criada só pra debochar de nossas instituições e tradições, e colocar qualquer visão de mundo que destoe dos costumes e práticas dos Underwood’s como isoladas e praticamente extintas.

Família, igreja, autoridades, amor, fé, respeito e moral; no mundo de Frank Underwood – e dos produtores da série – parecem ser meros detalhes maquiavélicos.

E pra quem acha que todo esse arranjo (pessimista) chancela realismo à série, a mim isso soa mais como algum tipo de trauma, que por ressentir de experiências dolorosas, passa a desconfiar de tudo a sua volta.

 

Não Mr. Underwood…

O mundo não é tão linear quanto o roteiro dessa série tão superestimada.
E por aqui, nem todo mundo age em benefício próprio
e nem toda ação é estratégica.

E sim, por mais démodé que pareça, ainda existem pessoas decentes.
O problemas é que por aí, nos templos da ganância, será mesmo difícil encontrar essa estirpe.

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Pietà

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Na próxima ocasião em que alguém se achegar a mim, cheio de boas intenções, e disser que tem o sonho de ir para África, promover o bem, ou coisa do tipo, minha resposta será o endereço (nem precisa cruzar o Atlântico) e uma lista com nome para essas pessoas colocarem em prática toda sua Pietà.

Cansei desses!

Esse tipo de coisa tem me soado mais como um movimento de fuga (do tipo, estou cheio da minha tediosa vida e quero uma aventura exótica), uma oportunidade de realizar uma viagem internacional na faixa (de graça), ou o simples exercício de higienização de consciência através da caridade.

Esse é o tipo de caridade Fast food, rápida e conveniente. O arranjo geralmente é o mesmo: vai-se para um país distante, ajudar algum povo miserável, marcado por alguma desgraça, fica-se ali por um tempo e, quando já se cumpriu a cota de caridade para uma vida, volta-se para mesma vida ordinária, bem distante daquela realidade difícil de encarar.

Esse é o tipo de pessoa que sonha mudar o mundo, mas não consegue ser responsável nem com a arrumação da cama.

Talvez mudar o mundo seja mesmo uma utopia. Mas uma coisa é certa, se há uma saída para esse mundo caído em que nos arrastamos, o compromisso de fazer o melhor com o que está a nossa volta, com certeza, é um dos prefácios da mudança concreta.

Tá certo que é mesmo difícil encarar o mau de frente, todos os dias, e perceber esse hiato que existe entre o mundo hedonista do cinema e da publicidade e o mundo “real”, doente e sujo que se oculta por trás dessa cortina de purpurina. Mas a mágica decisão de não enxergar isso não muda os fatos.

A verdade vos libertarás.
(João 8: 32)

Jesus estava mesmo certo quando afirmou isso. Ou há outro caminho para mudança que se desvie do reconhecimento dos erros e da correção de rotas?

Quer produzir um mundo melhor? Comece sendo um filho, aluno, funcionário, cidadão melhor. Gostaria de promover a caridade? Quer lugar melhor do que o nosso país, nossa vizinhança, para começar?

E se, de repente, lhe surgir a pergunta:

– Quando começar?

Minha sugestão então seria:

– Que tal hoje?

Comece se questionando que tipo de pessoa você tem sido para seus familiares, amigos, companheiros de trabalho… Feito isso, parta para a etapa seguinte e vá tapando os buracos que você deixou pelo caminho. E se lhe restar ainda a dúvida de como fazer isso, aqui vai minha derradeira sugestão: O pedido de perdão é o prólogo do processo de mudança, e o compromisso de insistir neste movimento (em direção ao Bem) é o que certifica nossa transformação.

É duro, mas não alcançaremos um mundo melhor sem nos transformarmos em pessoas melhores.

Emerson De Oliveira

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I am second

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“I am second” é um movimento que surgiu (nos EUA) com o propósito de inspirar e encorajar  pessoas a colocar suas vidas em segundo plano e dedicar uma maior parte dela (a vida) a servir a Deus e ao próximo.

Avalizando o projeto, temos o depoimentos de atores, atletas, músicos, homens de negócios, ex viciados; enfim, histórias inspiradoras que reforçam o propósito último do projeto: falar sobre o amor de Deus.

Confira algumas dessas histórias:

Alex Kendrick
http://youtu.be/XLcgf589P5U

Stephen Baldwin

Vitor Belfort

Brian Head

 

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Realidade

Como prometido, ainda lá no já distante prefácio deste blog, tento cumprir hoje uma tarefa com a qual tenho pecado – confesso. Dispus no Blog um achado bem especial, uma poesia de Álvaro Campos – um dos pseudônimos do poeta português Fernando Pessoa.
O Poema se chama Realidade e trata basicamente da reflexão sobre o tempo, sobre mudanças. Enfim, não quero estragar o que me encanta na poesia, a livre interpretação. Espero que apreciem…
Graça e Paz….

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos…
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade…

Há vinte anos!…
O que eu era então! Ora, era outro…
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada…
Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)…
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos…
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse…
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer…

Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais
lembradamente de azul.

Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada…

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso…
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

Olhamos indiferentemente um para o outro.
E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse…
Verdadeiramente se desse…
Sim, carnalmente se desse…

Sim, talvez…

    Álvaro de Campos, in “Poemas”
    Heterónimo de Fernando Pessoa

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