Convite à coragem

Um bem é tão valorizado quanto a sua raridade.

Coisa rara é encontrar opiniões que entram em choque com o consenso, o automatismo, o movimento de massa. Afinal de contas, vivemos sobre a tutela do politicamente correto, portanto é preciso ter culhão pra abraçar o dissenso e polemizar.

palavrantiga

Palavrantiga, se existe um consenso (que se tornou chato) entre cristãos hoje, este talvez seria o nome dele. Pois tente encontrar críticas (sobretudo negativas) relativas ao grupo e você vai ter uma noção desse consenso (proponho até que você inicie esse exercício utilizando o meu blog). E porque?  De fato a banda é excelente, tem um ótimo compositor e belos arranjos; fatos que justificam o consenso. Então qual é ponto?

A minha preguiça em relação ao Palavrantiga sempre foi relativa a sua postura (que abusa do conforto do politicamente correto). Sugiro até outro exercício, assista (escute ou leia) algumas entrevistas do grupo e observe como eles (sobretudo seu porta voz) se esforçam para se descolar da imagem do músico cristão, gospel, evangélico e demais rótulos. O que me soa estranho e até mesmo contraditório, é que o grupo construiu e mantém sua carreira graças ao público cristão, gospel e evangélico.  Sim, eu sei que eles reuniram admiradores fora dos muros da igreja, talvez pelo talento que eu já salientei aqui, ou mesmo pela curiosidade por este discurso diplomática (filosófico e poético) que eles têm; mas eu confesso que ficaria admirado se descobrisse que este é o publico hegemônico da banda.

E antes que me julguem por inocente, ignorante ou elogios mais lisonjeiros. Vale ressaltar que eu encontro sim algumas intercessões entre minha visão de mundo e a do grupo.

  • Também não me sinto confortável com o rótulo de evangélico.
  • O mercado fonográfico gospel é mesmo uma aberração.
  • Eu não compartilho da opinião e nem mesmo admiro a postura da maioria dos líderes evangélicos do Brasil.
  • Não gosto da postura da igreja em relação aos seus artistas;
  • Não gosto da postura de trabalho dos nossos artistas;
  • Não gosto do produto cultural dos nossos artistas;

Enfim, a coisa de fato está longe do ideal. E se valer desta postura contestadora nos concede mesmo um caráter mais integro e louvável. Mas até onde levar essa negação?

Quando o simples questionamento: De qual igreja você é? É seguida de um discurso politicamente correto, que isenta o interlocutor de se posicionar, isso não me soa bem. Esse tipo de postura me remete a uma colocação que o filósofo Luiz Felipe Pondé, apresenta no vídeo que eu publiquei no último post.

“Com medo de sermos vistos como intolerante, evitamos brigas, e brincamos de relativistas dizendo que cada um tem sua verdade, mas diante de problemas concretos, os conflitos logo aparecem.”

Não acho que isso se aplica integralmente ao Palavrantiga. Mais uma vez, admiro e comungo em grande parte da postura deles, mas esse movimento, que cresce no meio evangélico, que se faz valer de um discurso mais inclusivo, simpático, democrático e diplomático; hummmm… me incomoda.

Sim, eu acredito no diálogo entre o sacro e o secular, ou Jesus não é a materialização disso? E eu acredito que o artista cristão tem um papel fundamental nessa diálogo. Mas eu não acho que, em vista de conquistarmos a simpatia alheia, possamos nos livrar do constrangimentos que a fé cristã nos coloca.

Eu não me satisfaço apenas em ver o Palavrantiga tocando ao lado do Henrique Portugal ou dando uma entrevistas para a Billboard, de fato isso pode ser bom. Mas eu ainda sinto falta dos momentos de choque e de constrangimento, em que os artistas cristãos se comprometam ao defender ABERTAMENTE  sua fé; sim com inteligência, integridade, respeito e honra, mas que não se isentem da coragem de demarcar os limites que fé Cristã alude. Chega de substituir Jesus por “eufemismos” simpáticos como amor, paz, bem comum.

Se em diversos aspectos, aqueles famosos líderes Evangélicos que maculam a reputação da igreja no Brasil, apresentam falhas gritantes, em um assunto específico temos que reconhecer o mérito neles, a CORAGEM. Pois é mesmo pra poucos abrir mão da simpatia em nome de uma ideologia (seja ela qual for).

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C. S. Lewis

Volta e meia penso em como cristãos com culhão como C.S. Lewis fazem falta. Sim, ele era tinha apreço pela conteúdo e forma de seu trabalho, parte de sua reputação vem desse fato. Sim, ele teve, como poucos, trânsito entre o secular e o sacro; mas não, ele não hesitou em elevar o estandarte cristão bem alto, e deixar claro essa sua posição nos mais diversos aspectos de sua vida, seja em seu trabalho ou em sua vida diária. Ainda que essa postura pudesse lhe causar constrangimentos, Jesus não foi ausente na obra de C. S. Lewis, muito menos os aspectos comprometedores como a exclusividade da salvação em Jesus, a moral sexual cristã, o pecado e o problema do mal.

De fato eu reconheço, é preciso muita coragem para se decidir cristão. Sobretudo para aqueles que o ofício implica deixar claro sua visão de mundo. E, dado esse fardo, eu confesso que também falho com isso. Mas o reconhecimento desse fardo não nos isenta do convite ao constrangimento que o evangelho nos deixa:

Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.

(MT 5:11)

E o texto ainda provoca:

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.

(MT 5:14-16)

A ideia de escrever este post me veio depois de ler a crítica (não consensual) do jornalista Rafael Porto sobre o último álbum do grupo palavrantiga, que tem o título de “Sobre o Mesmo Chão”. Quem tiver a curiosidade de ler a crítica, este é o link:

ogospelemxeque.wordpress.com

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Ambíguo

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Sim, eu sou arrogante. Também inseguro; gentil, insensato, sensível e bruto.

Sou toda soma de paradoxos que me fazem quem sou.

Pois eu falho mesmo. E feio! Mas meus méritos também estão por aí.

Sou o melhor que posso ser, e se isso não basta, paciência. Esse é o meu compasso.

Hora sou problema,hora solução; hora essa medida é justa, hora não.

E o que sobrou de mim?

Esse sujeito torto, cheio de orgulho, medo, virtudes e tropeços.

E pra quem vê isso tudo como mero pretexto, eu contesto assentindo.

Afinal, não é sobre isso o texto?

Emerson de Oliveira

10/12/2013

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Flores murchas

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Por onde andas?

Eu, já estou à mesa!

O garçom me serviu o café e eu lhe trouxe flores.

 

Que imprevisto poderia lhe prender?

Que infortúnio lhe privaria desta noite?

 

Na sua ausência a culpa pede a vez,

puxa conversa e me convence do dolo.

 

Você me falta!

 

O seu vazio é preenchido por esse juízo penoso;

e as flores vão murchando, murchando…

 

Por onde andas?

 

Emerson de Oliveira

27/01/2013

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Folhear o tempo

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Olá passado, olá porvir;

folhear as páginas de uma agenda é como brincar de Deus;

é rememorar o que se foi, é brincar de preencher acaso;

é se afastar dessa condição de homem, refém do tempo, o algoz da vida.

 

Sem certeza, sem salvaguarda, mais doce é a imaginação. Viva a arte, viva a infância.

Emerson de Oliveira

– 23/01/13 –

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Os caminhos para o Bem

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Costumamos nos atrapalhar com os conceitos essenciais da vida (grifo isso: ESSENCIAIS), que amparam a nossa existência, como o BEM, por exemplo. Portanto vale a pena refletir.

Acreditam alguns que o BEM tenha a ver com a felicidade, portanto, fazer o BEM, para estes, seria o ato ou a ação de promover a “felicidade” a outrem.  Nestes rumos, uma mãe só estaria promovendo o BEM a seu filho realizando tudo o que nutrisse a felicidade dessa pobre criancinha. Onde isso iria acabar?

Num caminho totalmente inverso, penso que a promoção do BEM tem mais a ver com MATURIDADE do que com felicidade. Nestes parâmetros, um pai poderia SIM dizer não a seu querido filho, a fim de despertá-lo para as vicissitudes da vida (com o risco de ser tachado de injusto, já que a maioria dos filhos partilha do primeiro ponto de vista).

 Assim meus caros, antes deliberar seus “algozes” (os preferidos: pais, mestres e professores) e se cercarem de seus “benfeitores”, pensem nestes dois pontos de vistas. Pode ser que aquele que te tanto te incomoda com um NÃO esteja, na verdade, te promovendo o verdadeiro BEM.

Emerson de Oliveira

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Coisas que a Bíblia não resolve…

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Olá, se ainda existe alguém por aqui, essa é mais uma tímida aparição deste blogueiro mais relaxado do mundo. O problema é que o tema do meu Blog é muito sensível e pessoal, por isso não me sinto satisfeito de encher essa plataforma de conteúdos que eu não acredite ou que não me digam nada (de uma forma mais profunda). E não se preocupem, tenho preparado – há um bom tempo – um texto falando um pouco sobre o porquê desse meu afastamento. Se eu consegui terminar e acreditar nesse texto, em breve (assim espero) ele estará por aqui. Enquanto isso se deliciem com esse texto tão bacana que eu encontrei passeando pelo twitter (senhoras e senhores, acreditem, existem pessoas que postam coisas interessantes no twitter. Foi o caso de Anderson Paz, autor desse texto). Aproveitem!
Emerson De Oliveira

Era uma comunidade extremamente problemática. Entre os vários erros que Paulo teve que corrigir naquela igreja havia divisão entre irmãos, a tolerância ao pecado, a imaturidade no uso dos dons espirituais, entre muitos outros. A igreja em questão é a de Corinto.

Na busca por corrigir os problemas de Corinto, Paulo escreve algumas cartas àquela igreja, das quais nos restaram duas (I e II Coríntios). São cartas de valor imensurável, por tratar de vários aspectos importantes da vida de uma comunidade cristã. Contudo, apesar de todo o valor desses ensinos, eles não foram o suficiente para a solução dos problemas dos cristãos de Corinto. Estou convicto de que existem coisas que a Bíblia sozinha não resolve.

E qual caminho Paulo tomou para resolver aqueles problemas? Não apenas colocou as Escrituras para serem obedecidas, como também a sua própria vida como modelo a ser seguido. Afinal, ele disse: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores” (I Co. 4:16), e “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (I Co. 11:1). Contudo, o apóstolo estava distante daquela comunidade. Então, como fazer com que seu exemplo de vida fosse lembrado com força? Paulo encontra solução para isso na seguinte forma: “Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo, como por toda a parte ensino em cada igreja” (I Co. 4:17). Timóteo poderia plenamente reproduzir os caminhos de Paulo, não só em seu discurso, mas em sua prática. Paulo disse o seguinte para Timóteo: “Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições” (II Tm. 3:10-11). “Sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (I Tm. 4:12).

Existem problemas no cotidiano de uma igreja que não se resolvem com estudo bíblico. A Palavra Escrita é primordial e indispensável, contudo, apenas ler a palavra não é suficiente, precisamos ver sua prática na vida de alguém. Além das Escrituras, precisamos de gente que nos ajude a vivê-las. Pessoas que se colocam como modelo a ser seguido, e nos advertem, nos corrigem, não se omitem em nos dizer a verdade, e que sejam inspiração para nossas vidas.

Se você abraçou de coração o propósito de Deus, então precisa estar aberto para receber a ação da mão de Deus através dos seus irmãos, mesmo quando esta ação vem por meio de correções. Mas também é indispensável que você trabalhe na realização desse propósito colocando sua própria vida como exemplo. Isso não é uma exigência para pastores e líderes, mas é o alvo de todo o cristão, pois somos a luz do mundo (Mt. 5:14; Fp. 2:15). Afinal, aquele que diz que está em Cristo também deve andar como Ele andou (I Jo. 2:6).

Em Cristo,

Anderson Paz
Fonte: http://conexaoeclesia.com
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Conversa a Mesa

Por Martinho Lutero

Estraído do livro: A bilblioteca de C.S. lewis, pg 42, Editora Mundo Cristão, São Paulo
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O demônio ataca o mundo cristão com o máximo de suas força e sutileza, molestando os cristão por meio de tiranos, hereges e falsos irmãos, e instigando o mundo inteiro contra eles.

Pelo contrário, Cristo resiste ao demônio e seu reino com um número reduzido de pessoas simples e desprezadas; aos olhos do mundo, estas pessoas são fracas e estultas, e mesmo assim ele consegue a vitória.

Ora, seria uma guerra muito desigual uma pobre ovelha enfrentar uma centena de lobos, como aconteceu com os apóstolos quando Cristo mandou para o mundo e um após o outro foram assassinados e eliminados.

Contra os lobos deveríamos preferir soltar leões, ou feras mais ferozes e horríveis. Mas Cristo se compraz em mostrar sua mais alta sabedoria e força em nossa fraqueza e estultícia, segundo a interpretação do mundo, e procede de tal forma que todos os que se levantam contra os seus servos e discípulos provarão do próprio veneno e se darão mal.

Pois somente ele, o Senhor dos Exércitos, opera milagres. Ele preserva suas ovelhas no meio de lobos e ele mesmo tanto as aflige que nós claramente vemos que nossa fé não subsiste pelo poder da sabedoria humana, mas no poder de Deus, porque, embora Cristo permita que uma ovelha seja devorada, no entanto ele manda outras dez ou mais para substituí – lá.

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Emerson de Oliveira
Graça e Paz

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Treinando os nossos Hábitos

“… Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo […] esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus…”

C.S Lewis – Cristianismo Puro e Simples

Emeson de Oliveira
Graça e Paz

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Transforme toda essa dor em virtude

Na próxima ocasião em que me questionarem sobre o meu gênio, meio tímido/meio abatido, vou falar, juro! Sem titubear:

– É culpa de meus pais…

Os mesmos sujeitos que apesar de tanto me causarem danos, teimam em habitar no canto mais sagrado do meu coração.

Os mesmos sujeitos que figuram no posto mais alto do meu panteão de heróis.

Os mesmos sujeitos que levantaram as bases dos primeiros castelo que eu admirei.

São esses os sujeitos honrados que hoje (mais uma vez) me fazem vacilar, chorar, duvidar.

Não fosse Deus, o que seria de mim?

Oração:
Senhor, dá-me discernimento e transforme toda essa dor em virtude.

Emerson de Oliveira Souza
Graça e Paz…
26 de setembro de 2011

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